Música Perfume Exato Os teus olhos têm maré, ninguém os olha e fica igual; quando me prendes com esse brilho, perco o norte, perco o sinal. E o teu cabelo, solto, leve, cai-te no ombro devagar, como se a noite, com ciúme, quisesse em ti morar. Ai, mulher, quando te cheiras, o mundo aprende a parar: trazes o perfume exato que me desarma sem falar. E eu fico à porta do teu riso, como quem pede e não reclama; porque os teus olhos dão-me o fado e a tua boca dá-me a chama. O teu perfume fica no ar como promessa a meio dita, e eu vou atrás desse rasto com a alma sempre aflita. A tua pele tem segredo que eu não sei nomear, e o teu passo, quando passa, faz o silêncio cantar. Se me dizes “fica”, eu fico, se me dizes “vai”, eu vou; mas há um gesto teu, tão leve, que me prende onde eu estou. E quando a noite se fecha e a cidade perde cor basta lembrar os teus cabelos para eu voltar a ter calor. Não me prometas para sempre, promete só este instante: um olhar, um fio de perfume, e eu já sigo...
A tradição tomasina ensina-nos que a virtude e o vício não são meros comportamentos ocasionais, mas habitus — disposições estáveis da alma adquiridas pela repetição dos atos. São Tomás de Aquino, na Summa Theologica (I-II, q. 49-55), define o habitus como uma qualidade “difícil de remover”, que inclina o ser humano a agir de determinado modo. A virtude é, pois, o habitus boni , a disposição orientada para o bem conforme a razão e ao fim último; o vício é o habitus mali , o desvio reiterado que arrasta o homem para o prazer ilusório e a desordem moral. Esta distinção ganha vida concreta quando observamos que o bem e o mal não são apenas conceitos, mas ritmos que se instalam na alma . A consciência moral não desperta na abstração, mas no confronto com a prática, por isso o homem não se torna virtuoso por conhecer o bem, mas por praticá-lo continuamente, até que o agir reto se torne natural. Do mesmo modo, o vício nasce e cresce no quotidiano da repetição: cada ato injusto, cada ...